5 anos depois…

5 anos depois…

Dia 19 passado, fez cinco anos que meu avô José morreu. Parece que foi ontem, mas faz cinco anos. Ele estava a uns três meses de fazer 98 anos de idade. Eu lembro que eu brincava que eu queria fazer a festa do centenário dele no Parque Antártica, já que ele era palmeirense.

Mas, enfim, a ficha ainda não caiu pra mim. Tipo, as lembranças dele são diárias, e eu meio que preciso ficar me relembrando, sempre, que ele não está mais entre nós. E isso sempre dói.

Com todo o respeito a todos os meus familiares que já se foram, foi a morte que eu mais senti. Inclusive porque, no fundo, eu achava que meu avô era imortal.

Na boa, eu ainda acho.

Pra terminar, a foto dele que eu mais gosto e que, fácil, é uma das mais lindas que eu já tirei. O meu avô segurando a Rafaela, minha sobrinha. Bisneta dele.

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É, eu falhei em dar um bisneto a ele… Mas, enfim, eu falhei em um monte de coisas, vida afora.

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Momento leitura: Your Name (Kimi no na wa) 


Sabem aquelas histórias de troca de corpos? Tipo “Se eu fosse você” – e isso só para citar uma, porque existem milhares de filmes com esse tema (e acabo de saber de um quadrinho recém-lançado com esse tema, “Crosswinds”). E se eu te dissesse que dá para tirar algo legal disso?

O aparente milagre foi conseguido por “Your Name” (“Kimi no na wa”, no original), mais novo manga da Editora JBC. A história que me fez comprar um manga de novo após alguns anos…

Aliás, se fosse nos anos 90, e tivesse tanto manga nas bancas quanto hoje, eu iria à falência! Sério! Alguns títulos que eu queria, naquela época, até foram lançados aqui, como “Ranma ½”, “Magic Knight Rayearth”, “Card Captor Sakura” e talz, mas em um outro momento da minha vida, acabei não comprando… Mas eu confesso que ainda gostaria de ver, por exemplo, “Patlabor” ou “Oh! My Goddess” nas bancas! Mas eu não estou escrevendo isso para a JBC publicar. Se eu marcar a JBC (ou a Panini) aqui neste artigo, vai ser apenas coincidência. Ou a NewPop! É!

Mas, enfim, o que “Your Name” tem de diferente? Bom, é uma guria que troca de corpo com um guri – por vontade da garota, que quer ser um homem (a cara do Século XXI!) em Tóquio, mas isso não é permanente. Acontece a cada dois ou três dias, na hora que eles dormem – cada um fica um dia no corpo do outro. Ah, sim: ela mora numa cidadezinha do interior do Japão, ele, em Tóquio, claro (coitado, entrou de gaiato nessa…). E essa é uma das coisas mais legais da história: como um mora muito longe do outro, eles não se encontram – ficam deixando mensagens, diários, fazendo perguntas, se conhecendo indiretamente, digamos. E vão aprendendo – ela, a vida na cidade, ele, os costumes do interior.

De qualquer forma, é uma história muito legal, nada realmente “OH, MEU DEUS, COMO EU VIVI SEM ISSO ATÉ HOJE?!?!?”, mas divertida! Já estou ansioso pelo número 2 (vão ser só 3).

Especialmente depois do último balão da última página do volume 1.

Especialmente depois disso!

P. S. : mais informações aqui

Um pouco (ou muito) de Brasil

Teve um fim de semana em que a Mi e eu, por coincidência, acabamos nos aprofundando um pouco em Brasil – o país, o assunto! Foram dois filmes e um livro mostrando uma fatia do que o Brasil foi, é e, pelo jeito, vai continuar sendo…

Mas, enfim, eu achei interessante, e acho que vale a pena compartilhar, nem que seja só um pouquinho!

GETÚLIO

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Um baita elenco, um momento pra lá de complicado, e um belo filme!

Getúlio mostra os últimos dias de governo e de vida de Getúlio Vargas, interpretado por Tony Ramos: a partir da tentativa de assassinato de Carlos Lacerda (Alexandre Borges), as coisas começam a degringolar para Vargas, que, primeiro, perde o apoio nas ruas e, depois, nos quartéis. Tudo isso com muitas coisas acontecendo nos bastidores! Se você acha que o Brasil mudou desde aquela época, talvez tenha uma surpresa desagradável…

Agora, eu vou estudar mais sobre essa época e sobre esse filme, também, ver em que ele foi baseado, digo, se foi em algum livro, para saber se realmente dá para confiar na exatidão de alguns detalhes, alguns fatos. E o que mais me marcou, desses fatos, é uma hora que Getúlio diz que já tinha rasgado a Constituição duas vezes e não ia rasgar a terceira!

Tipo… ele disse isso mesmo? E, se ele disse, por que ele não rasgou pela terceira vez, enquanto ainda tinha o apoio dos militares, quando teve chance?

MULHERES NO PODER

MULHERES-NO-PODER

Num futuro não muito distante (ou talvez distante, mas vejam o filme até a última cena e entenderão), os principais cargos políticos do Brasil são ocupados por mulheres. E o barato do filme é mostrar que, bem, isso não faria diferença alguma – as maracutaias, os favores, o “por baixo dos panos”, está tudo lá, exatamente como já é!

E a supracitada última cena é um senhor tapa na cara de quem ainda acredita neste país – especialmente a última fala, examinada no contexto do que acontece no filme!

TODOS CONTRA TODOS – O ÓDIO NOSSO DE CADA DIA

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Este foi o mais forte. É um livro do professor e filósofo Leandro Karnal (que deu aula para mim na Ibero, em 1998 e 99 – e foi um dos melhores professores que já tive na vida!) tratando de como a polarização política está se dando no Brasil, por que está se dando e, na verdade, também tratando de por que o Brasil é do jeito que é no campo político.

(Spoiler: os políticos são corruptos porque o povo é corrupto! E o professor Karnal explica o tal mito do brasileiro ser o “homem cordial”, que é muito mal interpretado.)

E mais uma coisa: partindo dessa situação, da “torcida de futebol” em que se tornou o debate político de hoje, ele explica por que – no Brasil e no mundo – existem os ódios. E, olha, é de acabar com qualquer esperança! O último capítulo até que sugere duas soluções mas, pra ser sincero, podemos tirar o cavalinho da chuva!

O melhor do Brasil pode até ser o brasileiro. Mas o pior do Brasil é o brasileiro.

É…

Scripta manent… 

Vou contar aqui uma história que o meu falecido avô José me contava…

Um dia, quando ele ainda era jovem, um professor o interpelou:

– Forte! Por que você não está anotando nada?

Ao que meu avô respondeu:

– Não precisa, professor! Eu me lembro de tudo!

E veio a resposta:

Scripta manent, parola volant! 

Em português, “O escrito fica, as palavras voam”. E meu avô levou isso a sério!

Tão a sério, que, muitos anos depois, quando ele já tinha sua alfaiataria, aconteceu de um cliente dizer a ele:

– Nossa, o senhor anota tudo!

E, dessa vez, foi o meu avô que falou:

Scripta manent, parola volant! 

Só que o cliente dele disse:

– O senhor vai me perdoar, mas eu sou professor de Latim, e eu queria fazer uma pequena correção na sua frase: “parola” é italiano; o correto é “verba“: “Scripta manent, verba volant”. 

Meu avô, sendo quem era, não perdeu a pose:

– Olha, eu fico feliz! Porque o senhor me corrigiu apenas uma palavra, e não foi erro meu, foi erro de um professor que me ensinou assim!

E foi assim que essa frase chegou até mim!

Por que estou contando essa história?

Bem, na minha recente viagem a Campos do Jordão, no Museu da Xilogravura, no ateliê do lugar, eis que me deparo com isto:

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Pois é… A três horas de viagem de São Paulo, num cantinho de um museu, eis que me encontro com o meu avô… :_)

P.S.: Aliás, vai fazer 5 anos que ele morreu… Mas disso, talvez, eu trate lá em novembro.

Campos do Jordão, SP

Há três semanas, realizei um sonho antigo: fui conhecer a tão famosa Campos do Jordão! Eu cresci ouvindo falar de lá, meus pais fizeram a Lua-de-Mel deles lá, então, quando a Michele e eu estávamos tratando das férias e decidimos pelo interior, e não pelo litoral, eu falei

– Eu nunca fui pra Campos do Jordão!

Ela também não tinha ido, então, começamos a procurar hospedagem, transporte e, voilà, tínhamos uma viagem!

Fomos de ônibus, mas, honestamente, é um lugar legal pra ir de carro, porque a rede de transporte não é lá essas coisas e tem muita coisa pra ver fora do perímetro urbano! Aliás, pra quem mora em cidade grande, esqueça essa história de aplicativos: não tem Uber, não tem 99, não tem Moovit, nem o Google Maps tem os ônibus da cidade! Esquece isso! É na base da pergunta (e perdemos uma hora por causa de uma indicação errada) ou do andar a pé, sempre que possível (e andamos bastante – o que é ótimo, aliás!). Inclusive, fora os taxistas, teve gente do local dizendo pra gente ir de carro, na próxima vez (que vai ter, sim, mas já chego lá!).

Mas, enfim, vamos às coisas boas – praticamente tudo!!

QUE LUGAR LINDO!

Sério, que lugar lindo! Leva a máquina fotográfica, bastante pilha, cartão de memória grande, celular com bateria enorme, sei lá, mas se prepara, porque, pra onde quer que você olhe, vale tirar uma foto! O estilo das casas, o verde, olha… Putz, é tudo muito lindo! Inclusive a área perto do Portal!

Já falei que tudo é muito lindo?

Mas o lugar em que a gente mais tirou fotos foi no museu Felícia Leirner! É um museu ao ar livre com obras feitas de concreto armado e cobre. De brinde, uma natureza maravilhosa, com vistas maravilhosas! Dá pra ver até Taubaté!

Nesse museu, também fica um dos auditórios em que há espetáculos do Festival de Inverno. Esse é um dos lugares a que vale a pena ir de carro…

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Na foto, uma paisagem linda, inspiradora, que traz alegria ao coração; ao fundo, a Pedra do Baú e a Serra da Mantiqueira.

 

Mas tem lugares a que vale a pena ir de táxi ou a pé, como é o caso de Capivari, que é o bairro da cidade em que fica o “fervo”! É muuuuuuuito restaurante, é muuuuita loja, é muuuuuuuito chique! E, de noite, muito frio, também! Mas não precisa vender a alma pra se virar por lá: a Mi e eu achamos uma sequência de fondue pra duas pessoas por 62 reais! E temos que falar do pastel do Maluf, com seus 32 cm (ui!) e muuuuuuuito recheio, praticamente uma refeição!

E TEM AS FÁBRICAS DE CHOCOLATE!!

Araucária, Montanhês, Toco… OH, MEU DEUS!! EU QUERO TODOS! TODOS!

Mas, infelizmente, só tenho um estômago (e um fígado), mas tivemos nossa cota de chocolate, se tivemos! Aliás, quando o Sol se baixa, a temperatura faz o mesmo, o que se torna um ótimo motivo pra um chocolate quente bem cremoso!… Hum…. Mas, enfim, em Capivari, tem as lojas dessas marcas e mais outras. Ah, na loja de fábrica da Araucária, dá pra ver um pouco da linha de produção. Eles têm um museuzinho do chocolate, mas é mais pela curiosidade, mesmo.

O que mais?… Bom, em Capivari, também é fácil encontrar lembranças pra levar… Em Abernéssia, um outro bairro, tem uma cafeteira/restaurante/delicatessen/whatever muito chique, a Sans Souci (francês para “Sem Pressa”) que tem uma loja de roupas junto e mesas que usam meias!

Sim, você leu direito!

 

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Tem também o Museu da Xilogravura (que me reservou uma grata surpresa, mas isso é assunto do próximo post), as lojas de chocolate, as lojas de chocolate, as lojas de chocolate,…

… E uns passeios que a gente não conseguiu fazer por falta de carro (e de vontade de gastar uma fortuna em táxi), como o Parque Amantikir e o borboletário Flores que Voam (só por esse nome, já vale a visita). E teve um que não deu pra fazer porque a gente teve azar, mesmo: o bondinho que corta a cidade!

São bondes elétricos, bondes mesmo, sendo que um deles chega a ser um trem que vai pra São Antônio do Pinhal, cidade vizinha. Na sexta, quando fomos tentar fazer a viagem, a rede elétrica tinha falhado; no sábado, por causa da indicação errada de ônibus, acabamos não chegando a tempo de pegar o último bonde; e, no domingo, não tinha mais vaga!

Mas, tudo bem: temos motivos pra voltar lá, não temos? 😉

Agora, como eu já disse, teve uma coisa muito legal que aconteceu lá, mas vou tratar disso no próximo post…

Em defesa dos nomes de comida!

Sabe, os idiomas, no fundo, no fundo, são seres vivos – eles ficam indo e vindo ao seu bel-prazer! E, nessas idas e vindas, rolam umas curvas erradas!

Por exemplo, aqui no Brasil, tem quatro injustiças enormes feitas com nomes de alimentos! Vamos da mais recente para a mais tradicional (mas não menos errada – aliás, talvez seja a pior!)

Nutella

Então, essa é praticamente ofensiva!

Nutella é uma das coisas mais gostosas que existem na face da Terra! Tipo, é praticamente uma prova de que Deus não só existe, como nos ama! Um sabor inigualável, uma cremosidade… hummmm! Me dá vontade, só de pensar!

Só que, aí, vem o pessoal usar Nutella como ofensa, no sentido de “mauricinho”, “almofadinha”! Manja aquele meme do insira-uma-profissão-aqui “raiz” contra insira-a-mesma-profissão-aqui “nutella”? Então, esse mesmo!

Gente… Nutella tinha que ser elogio!!

Tipo, a sua namorada apareceu maravilhosa para a festa? “Nossa, amor, como você está Nutella!”

Saiu um videogame 4K novinho em folha? “Mano, isso é muito Nutella!”

Alguém te fez uma gentileza? “Nossa, obrigado, isso foi muito Nutella da sua parte!”

Mortadela e Coxinha

Nossa, esses dois…

Então, vamos estabelecer, desde já, que mortadela é gostosa, e coxinha, também! Então, não faz sentido, não mesmo, associá-las a coisas ruins – ESPECIALMENTE à política!

Você quer xingar alguém da esquerda? Chama de aspargo!

Quer xingar alguém da direita? Chama de jiló!

“Nossa, eu parei de falar com aquele cara, porque ele ficou muito aspargo!”

“Esses caras são muito jilós, querem a volta do regime militar!”

Acabar em pizza

Essa é a pior!

A pior mesmo!

A maior injustiça semântico-culinária de todos os tempos!

Sério, gente? Negociatas, acordos, “abafa o caso” e tudo mais… PIZZA?!?!?!?

Gente, isso é prato de salada! Pão sem glúten! Coca zero! Adoçante!

Pizza também é praticamente uma prova do Amor Divino por nós e, nossa, num mundo perfeito, haveria pizzarias em cada esquina, e as pessoas seriam felizes por causa disso!

Não, mais do que isso! O dia em que os alienígenas vierem nos visitar/invadir, vamos oferecer pizza para eles! Vai ser o dia em que, finalmente, teremos uma comida realmente universal, porque TODO O UNIVERSO vai amar!

Não, o multiverso também! Aquele dia que aparecer sua versão de um outro universo em que não tenha pizza, ensina para ela! A pizza vai ultrapassar a barreira das dimensões!!

Mas a gente cisma de usar “acabar em pizza” para coisa ruim…

O certo seria “CPI da carne acaba em salada”, “Reunião para renúncia de Temer acaba em sopa” ou algo assim!

Acabar em pizza seria, nossa, quando a Michele e eu começamos a namorar… isso, sim, é uma pizza!

Brasil conquistou o hexa na Rússia 2018! Acabou em pizza!

Descobriram a cura do câncer? Acabou em pizza, também!

Mas, eu sei, isso é tudo ilusão… Como eu disse lá em cima, a língua é um ser vivo! As palavras escolhem o que elas querem significar!

Mas que isso está errado, está!

Uma pequena história de Páscoa…

Esta foi no domingo de Páscoa, de tarde…

Mas, pra esta história fazer sentido, uma confissão: eu sou pão-duro. E não dou esmola. Só que, no domingo de manhã, quando eu fui pagar o pão, vi que eu tinha muitas moedas. E, como era Páscoa, resolvi deixar aquelas moedas no console do carro, para dar se alguém pedisse nos faróis da cidade…

Pela primeira vez desde, bem, sempre, não apareceu um só mendigo, durante todo o trajeto para a casa dos meus pais. Quando estacionamos o carro, virei para a Michele e até reclamei disso…

Saímos do carro, e apareceu um moço num estado beeeeem ruim (“ruim” do tipo “doente”), pedindo dinheiro para conseguir voltar para a casa dele. Disse que precisava de 5 reais.

Para não dizer que eu tinha exatamente essa quantia, tinha 5,35 reais (e, depois, achei mais duas moedas no bolso).

Enfim, espero que a Páscoa tenha sido legal para vocês, também!

(E eu estou fazendo um esforço para me controlar no consumo de todo o chocolate resultante da data…)