Adolescência (?)

Me ocorreu uma coisa, recentemente… quer dizer, era uma ideia que estava ricocheteando na minha cabeça, mas, aí, veio o tal do Brexit, essa confusão toda na Turquia, e eu achei que era isso, mesmo…

Será que a nossa sociedade está na adolescência?

Quer dizer, tem uns comportamentos que eu ando vendo, tipo… o famoso “mimimi”. Essa coisa que reclamar de tudo é coisa de adolescente. Questionar tudo o que está ao redor também – e eu vejo muito questionamento religioso, sexual, comportamental, ultimamente. Aliás, o “recorde”, até hoje, foi um moleque dizendo que “não aceita ser definido pelo que tem entre as pernas”… Alguém chame um professor de Biologia, rápido!

Que mais?… Ah, tem a questão de mudar por mudar, de seguir modinhas, de achar que dá para mudar o mundo com medidas inócuas (tipo as ciclovias)… Tipo um cara que pixa um protesto num muro e acha que o mundo será outro na manhã seguinte!

E teve o tal do Brexit! Olha, eu juro, essa me pegou de surpresa! Não que eu não estivesse acompanhando (embora não tenha me aprofundado muito nisso), mas a questão é que eu achei, no fundo, que o “Stay” (ficar) fosse ganhar! Eu até esperava algo equilibrado, mas, poxa, estamos no Século XXI, eu não esperava, mesmo, que uma ideia tão retrógrada fosse passar (e olha que eu sou bem conservador)! E passou! Aí, pensei, puxa, isso é de adolescente (antigo), querer ser rebelde, sair de casa, morar sozinho…

Aliás, eu fiquei bastante decepcionado com o Bruce Dickson, do Iron Maiden. Não que eu fosse um grande fã, tenho pouquíssima coisa deles, mas o cara me apoia o Brexit e ainda vem com um papo todo de “agora, a Europa vai ter que negociar com a gente”… Se bem que, parando para pensar, na vez que ele esteve aqui, fazendo palestra (numa Campus Party, se não me engano), eu já tinha pegado uma ou duas coisas meio “pra trás”, no discurso dele.

O que me lembra do Trump, nossa, tinha esquecido dele! Parece uma criança mimada, nem adolescente! Tipo, “tem que ser do jeito que eu quero e foda-se”! Desse cara, eu tenho até medo!

Mas, enfim, tudo isso, pra dizer que eu tenho a sensação de que nossa sociedade está passando por uma espécie de adolescência. Agora, o que me preocupa é que tem dois resultados possíveis para isso: ou o adolescente se lasca por causa da estupidez típica da fase, ou passa por isso e se torna adulto.

Qual será que seremos nós?

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(Im)Perfeição

Por coincidência ou não, eu tenho visto, nos últimos dias, textos fazendo elogios à imperfeição. De maneira geral, é gente comentando como o que é perfeito é chato, como o que é perfeito não tem graça… Honestamente, eu acho isso tudo muito estranho! Pra mim, é uma ideia que não faz sentido.

Vamos colocar da seguinte forma: eu não vou mentir – eu sempre fui obcecado por fazer tudo direitinho, eu nunca gostei, nunca curti quando as coisas dão errado, quando as coisas não saem como desejado. Com o passar do tempo, fui percebendo que, na verdade, essa coisa da imperfeição realmente atrapalhava. E muito!

Aí, eu penso: a minha experiência de vida, tudo o que aconteceu comigo nesses 42 anos aponta pro uma confirmação quase incontestável de que, para tudo dar certo, tudo tem que ser perfeito! Não é como eu vejo pessoas ultimamente falando, louvando as imperfeições, que as imperfeições abrem espaço para a inovação, e a imperfeição permite descobrir coisas novas, e isso, e aquilo… Olha, isso nunca, nunca, nunca aconteceu comigo!

Aí, então, fico pensando nas experiências de vidas diferentes, ok, mas será mesmo que essas pessoas que tanto louvam a imperfeição realmente nunca tiveram problemas por isso? Será que, no final, realmente tudo certo será pra essas pessoas? Tá tudo bem mesmo? Será que, por causa de imperfeições, elas nunca sofreram prejuízos, danos, perdas de que elas nunca puderam se recuperar?

Eu realmente duvido disso.

O que eu acredito, acredito piamente, é que, no final, tudo tem que se encaixar direitinho, para as coisas darem certo! É como um carro, né? Se tiver alguma peça imperfeita lá dentro, você vai ficar no meio do caminho, você vai virar a esquina da sua casa e vai ter, de repente, o radiador estourado, soltando fumaça pra tudo quanto é lado, e aí você vai chegar atrasado no encontro, não vai conseguir pegar a sua filha na escola, não vai conseguir chegar a tempo pra entrevista de emprego…

Por outro lado, se tudo dá certo, se tudo sai direitinho como planejado, você vai causar uma boa impressão no encontro, vai conseguir chegar a tempo de pegar seu filho na escola, vai conseguir chegar até a entrevista de emprego, e aí vai você ficar tranquilo, tudo vai estar em paz, tudo vai estar sobre controle, tudo vai estar como deveria! Tudo estará perfeito!

Alguém aí, com certeza, já deve estar pensando alguma coisa do tipo “mas nunca se sabe, pode ser uma coisa do destino, o carro quebrou porque não era pra você chegar até lá”… pode ser! Mas, ainda assim, eu tenho pra mim que essas são exceções pra confirmar a regra, porque, no geral quando as coisas saem dos trilhos, a casa cai!

Eu honestamente prefiro que tudo dê certo e honestamente prefiro que meu carro funcione no momento que eu preciso dele, preciso de que o forno funcione para que a minha comida fique pronta na hora certa, preciso ter a ideia certa na hora certa…

Aliás eu vou dar um exemplo: em informática, é bastante raro conseguir usar uma coisa assim de cara! Vai instalar um cabo, um programa, um acessório qualquer, tem sempre aquela luta para fazer tudo ficar como deveria… Já tentaram instalar um headset bluetooth no Windows 8.1? Nossa, é de chorar!

E GPS, então? Às vezes, ele não acha exatamente onde eu estou! Ele acha que eu tô na rua do lado, na outra pista… Quantas vezes já não me perdi por isso, já tive dor de cabeça por causa disso? Demorei mais para chegar, peguei mais trânsito..

Outro exemplo, o computador! Você o liga para ver um filme, por exemplo, e a imagem começa a travar… aí, você vê a luz do HD piscando feito louca – o bonito resolveu baixar e instalar atualizações bem na hora do filme!

Por outro lado, quando abro um programa e ele realmente funciona, eu fico calmo! Eu fico satisfeito e tranquilo! Quando o GPS mostra exatamente onde você que chegar, fica tudo bem! Sabem, quando eu consigo capturar ou captar a palavra certa pra usar numa tradução… Nossa, maravilhoso!

Pra mim, a ideia de felicidade passa pela perfeição! Para que tudo dê certo, para que a gente possa ficar tranquilo, sossegado e, por conseguinte, feliz, enfim, para tudo dar certo, tudo tem que estar na hora certa, no lugar certo, do jeito certo! Felicidade, para mim, é isso!

E, sim, eu sei, não vai ter jeito, não é assim que as coisas são, né? Não é assim que a banda toca, como já disse alguém. Eu sei que a vida é imperfeita, é defeito pra tudo quanto é lado, e olha, é terrível, às vezes, é difícil ter que lidar com tanta imperfeição, é difícil ter que lidar com tanta coisa fora do lugar, é difícil ter que lidar com tanta incompetência, com tanta inadequação, com tanta…

Enfim, melhor eu parar por aqui, porque esse texto não está perfeito… Paciência! Se bem que paciência é algo que eu não tenho, e, nossa, o que isso me atrapalha a vida… Pena que paciência não é uma coisa que se consegue no supermercado, né?

Nossa, isso seria perfeito!

Salvação da lavoura

Recentemente, em um vídeo no site Garota Sem Fio (veja aqui), a blogueira Bia Kunze entrevistou uma profissional que montou um espaço de coworking. Não vou ficar me alongando nessa parte, mas, lá pelos 21:50, a entrevistada disse uma coisa que me fez pensar: ela comentou sobre como essa coisa de deixar o próprio emprego, partir para o empreendedorismo e tal tinha virado uma espécie de “salvação da lavoura”.

Eu ando lendo muito, na Internet, pessoas escrevendo artigos (às vezes, longos) sobre largar tudo e viajar pelo mundo, mudar de emprego a cada dois ou três anos, terminar relacionamentos ao menor sinal de problemas, etc, etc, etc… O ponto em comum desses artigos é: mude toda hora!

Aliás, não, minto, são dois pontos em comum! O supracitado e o, como direi, “você é o único responsável pela sua felicidade” (a tal autoajuda).

Mas, enfim, quando a moça da entrevista láááá do primeiro parágrafo disse o que disse, meio que me deu um clique, tipo, caiu uma ficha em relação a tudo o que eu estava lendo. E eu olhei para trás e para a frente.

Eu cresci com o meu pai trabalhando na mesma firma, sempre (tenho 42 anos). Ele conseguiu criar dois filhos (além de um cachorro e um monte de gatos). E vive uma velhice até que confortável.

Esses caras que vendem tudo e saem por aí em nome de um suposto aperfeiçoamento pessoal, de uma busca pela felicidade, o que eles vão criar? Memórias? Como eles vão construir algo para o futuro?

E eu olhei para mim e pensei: se eu largasse tudo hoje e fosse por aí, digamos, se eu passasse um ano viajando pela Ásia, ou pela Oceania, ou mesmo pela Europa, o que eu construiria? E quando eu voltasse para casa? Eu ainda teria a minha casa, para começo de conversa? Eu conseguiria um emprego novo? Eu tenho 42 anos, se eu saísse para um ano sabático, como eu iria me recolocar no mercado, depois? E mesmo não falando de viajar pelo mundo, se eu largasse meu emprego em troca dos meus sonhos?

“Ah, mas fulano conseguiu, sicrano viaja o mundo de barco com a família, beltrano abriu uma startup…”

Será que não são exceções? Será que as histórias que não dão certo seriam destaques em sites, blogs, portais? Quantos não foram abrir o próprio negócio e se deram mal?

As histórias que eu vejo de gente que partiram para o tal ano sabático, geralmente, são histórias de gente com MUITO dinheiro e/ou um patrocinador. Gente que tem reservas ou costas quentes, de modo que “arrisca” deixar tudo porque sabe que, no final, se der errado, tem como recomeçar.

Mas e as pessoas comuns? Um assalariado como eu, se eu jogar tudo para o ar e partir para uma vida de aventuras, o que acontece comigo se der tudo errado? E, mesmo que dê certo, como fica a vida, depois?

Viajar pelo mundo levando a família? Como é que você vai dar educação, escola para seus filhos? Aliás, nesse caso, você estaria NEGANDO uma vida normal para seus filhos: amizades duradouras, a turma da sala, o pessoal da rua. Passa um tempo num lugar, vai para outro, e outro, e outro, e outro…

“Ah, meus filhos vão ser cidadãos do mundo, pessoas com uma visão mais globalizada, mais aberta para novas culturas, mais abertos às diferenças…”

Hum, pode até ser. Mas pode ser também que eles fiquem perdidos no mundo, sem saber a que lugar pertencem. Sem amizades verdadeiras. Sem poder criar relacionamentos duradouros.

E, saindo da coisa da viagem para a coisa de ir atrás dos sonhos, mesmo ficando em seu lugar, tipo, você largaria seu emprego para virar pintor? Cantor? Que tal não ser tão radical e transformar isso num hobby?

Sabem, largar tudo em nome dos sonhos, da verdadeira felicidade, da busca pela iluminação pessoal é muito bonito, mas, no fundo, no fundo, só funciona em filme! Claro que há exceções, mas, justamente, elas estão aí para confirmar a regra! A realidade é outra, gente, e requer dinheiro na conta do banco, para se ter o mínimo de segurança e tranquilidade. Que são as bases da vida de verdade!

O resto é ilusão!

Tanto que, de algum tempo (não muito) para cá, eu já vi uma ou duas pessoas publicando textos sobre esse outro lado. Quem sabe está vindo aí uma conscientização, um contraponto a essa cultura questionável de buscar a felicidade por meio da instabilidade?

PS: o termo “autoajuda” me causa muita estranheza. Afinal, se você precisa de ajuda, é que porque não está dando conta do recado sozinho, então, como é que vai ajudar você mesmo?