Um pouco (ou muito) de Brasil

Teve um fim de semana em que a Mi e eu, por coincidência, acabamos nos aprofundando um pouco em Brasil – o país, o assunto! Foram dois filmes e um livro mostrando uma fatia do que o Brasil foi, é e, pelo jeito, vai continuar sendo…

Mas, enfim, eu achei interessante, e acho que vale a pena compartilhar, nem que seja só um pouquinho!

GETÚLIO

getúlio_poster

Um baita elenco, um momento pra lá de complicado, e um belo filme!

Getúlio mostra os últimos dias de governo e de vida de Getúlio Vargas, interpretado por Tony Ramos: a partir da tentativa de assassinato de Carlos Lacerda (Alexandre Borges), as coisas começam a degringolar para Vargas, que, primeiro, perde o apoio nas ruas e, depois, nos quartéis. Tudo isso com muitas coisas acontecendo nos bastidores! Se você acha que o Brasil mudou desde aquela época, talvez tenha uma surpresa desagradável…

Agora, eu vou estudar mais sobre essa época e sobre esse filme, também, ver em que ele foi baseado, digo, se foi em algum livro, para saber se realmente dá para confiar na exatidão de alguns detalhes, alguns fatos. E o que mais me marcou, desses fatos, é uma hora que Getúlio diz que já tinha rasgado a Constituição duas vezes e não ia rasgar a terceira!

Tipo… ele disse isso mesmo? E, se ele disse, por que ele não rasgou pela terceira vez, enquanto ainda tinha o apoio dos militares, quando teve chance?

MULHERES NO PODER

MULHERES-NO-PODER

Num futuro não muito distante (ou talvez distante, mas vejam o filme até a última cena e entenderão), os principais cargos políticos do Brasil são ocupados por mulheres. E o barato do filme é mostrar que, bem, isso não faria diferença alguma – as maracutaias, os favores, o “por baixo dos panos”, está tudo lá, exatamente como já é!

E a supracitada última cena é um senhor tapa na cara de quem ainda acredita neste país – especialmente a última fala, examinada no contexto do que acontece no filme!

TODOS CONTRA TODOS – O ÓDIO NOSSO DE CADA DIA

IMG-20170815-WA0002.jpg

Este foi o mais forte. É um livro do professor e filósofo Leandro Karnal (que deu aula para mim na Ibero, em 1998 e 99 – e foi um dos melhores professores que já tive na vida!) tratando de como a polarização política está se dando no Brasil, por que está se dando e, na verdade, também tratando de por que o Brasil é do jeito que é no campo político.

(Spoiler: os políticos são corruptos porque o povo é corrupto! E o professor Karnal explica o tal mito do brasileiro ser o “homem cordial”, que é muito mal interpretado.)

E mais uma coisa: partindo dessa situação, da “torcida de futebol” em que se tornou o debate político de hoje, ele explica por que – no Brasil e no mundo – existem os ódios. E, olha, é de acabar com qualquer esperança! O último capítulo até que sugere duas soluções mas, pra ser sincero, podemos tirar o cavalinho da chuva!

O melhor do Brasil pode até ser o brasileiro. Mas o pior do Brasil é o brasileiro.

É…

Anúncios

Adolescência (?)

Me ocorreu uma coisa, recentemente… quer dizer, era uma ideia que estava ricocheteando na minha cabeça, mas, aí, veio o tal do Brexit, essa confusão toda na Turquia, e eu achei que era isso, mesmo…

Será que a nossa sociedade está na adolescência?

Quer dizer, tem uns comportamentos que eu ando vendo, tipo… o famoso “mimimi”. Essa coisa que reclamar de tudo é coisa de adolescente. Questionar tudo o que está ao redor também – e eu vejo muito questionamento religioso, sexual, comportamental, ultimamente. Aliás, o “recorde”, até hoje, foi um moleque dizendo que “não aceita ser definido pelo que tem entre as pernas”… Alguém chame um professor de Biologia, rápido!

Que mais?… Ah, tem a questão de mudar por mudar, de seguir modinhas, de achar que dá para mudar o mundo com medidas inócuas (tipo as ciclovias)… Tipo um cara que pixa um protesto num muro e acha que o mundo será outro na manhã seguinte!

E teve o tal do Brexit! Olha, eu juro, essa me pegou de surpresa! Não que eu não estivesse acompanhando (embora não tenha me aprofundado muito nisso), mas a questão é que eu achei, no fundo, que o “Stay” (ficar) fosse ganhar! Eu até esperava algo equilibrado, mas, poxa, estamos no Século XXI, eu não esperava, mesmo, que uma ideia tão retrógrada fosse passar (e olha que eu sou bem conservador)! E passou! Aí, pensei, puxa, isso é de adolescente (antigo), querer ser rebelde, sair de casa, morar sozinho…

Aliás, eu fiquei bastante decepcionado com o Bruce Dickson, do Iron Maiden. Não que eu fosse um grande fã, tenho pouquíssima coisa deles, mas o cara me apoia o Brexit e ainda vem com um papo todo de “agora, a Europa vai ter que negociar com a gente”… Se bem que, parando para pensar, na vez que ele esteve aqui, fazendo palestra (numa Campus Party, se não me engano), eu já tinha pegado uma ou duas coisas meio “pra trás”, no discurso dele.

O que me lembra do Trump, nossa, tinha esquecido dele! Parece uma criança mimada, nem adolescente! Tipo, “tem que ser do jeito que eu quero e foda-se”! Desse cara, eu tenho até medo!

Mas, enfim, tudo isso, pra dizer que eu tenho a sensação de que nossa sociedade está passando por uma espécie de adolescência. Agora, o que me preocupa é que tem dois resultados possíveis para isso: ou o adolescente se lasca por causa da estupidez típica da fase, ou passa por isso e se torna adulto.

Qual será que seremos nós?