Scripta manent… 

Vou contar aqui uma história que o meu falecido avô José me contava…

Um dia, quando ele ainda era jovem, um professor o interpelou:

– Forte! Por que você não está anotando nada?

Ao que meu avô respondeu:

– Não precisa, professor! Eu me lembro de tudo!

E veio a resposta:

Scripta manent, parola volant! 

Em português, “O escrito fica, as palavras voam”. E meu avô levou isso a sério!

Tão a sério, que, muitos anos depois, quando ele já tinha sua alfaiataria, aconteceu de um cliente dizer a ele:

– Nossa, o senhor anota tudo!

E, dessa vez, foi o meu avô que falou:

Scripta manent, parola volant! 

Só que o cliente dele disse:

– O senhor vai me perdoar, mas eu sou professor de Latim, e eu queria fazer uma pequena correção na sua frase: “parola” é italiano; o correto é “verba“: “Scripta manent, verba volant”. 

Meu avô, sendo quem era, não perdeu a pose:

– Olha, eu fico feliz! Porque o senhor me corrigiu apenas uma palavra, e não foi erro meu, foi erro de um professor que me ensinou assim!

E foi assim que essa frase chegou até mim!

Por que estou contando essa história?

Bem, na minha recente viagem a Campos do Jordão, no Museu da Xilogravura, no ateliê do lugar, eis que me deparo com isto:

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Pois é… A três horas de viagem de São Paulo, num cantinho de um museu, eis que me encontro com o meu avô… :_)

P.S.: Aliás, vai fazer 5 anos que ele morreu… Mas disso, talvez, eu trate lá em novembro.

Campos do Jordão, SP

Há três semanas, realizei um sonho antigo: fui conhecer a tão famosa Campos do Jordão! Eu cresci ouvindo falar de lá, meus pais fizeram a Lua-de-Mel deles lá, então, quando a Michele e eu estávamos tratando das férias e decidimos pelo interior, e não pelo litoral, eu falei

– Eu nunca fui pra Campos do Jordão!

Ela também não tinha ido, então, começamos a procurar hospedagem, transporte e, voilà, tínhamos uma viagem!

Fomos de ônibus, mas, honestamente, é um lugar legal pra ir de carro, porque a rede de transporte não é lá essas coisas e tem muita coisa pra ver fora do perímetro urbano! Aliás, pra quem mora em cidade grande, esqueça essa história de aplicativos: não tem Uber, não tem 99, não tem Moovit, nem o Google Maps tem os ônibus da cidade! Esquece isso! É na base da pergunta (e perdemos uma hora por causa de uma indicação errada) ou do andar a pé, sempre que possível (e andamos bastante – o que é ótimo, aliás!). Inclusive, fora os taxistas, teve gente do local dizendo pra gente ir de carro, na próxima vez (que vai ter, sim, mas já chego lá!).

Mas, enfim, vamos às coisas boas – praticamente tudo!!

QUE LUGAR LINDO!

Sério, que lugar lindo! Leva a máquina fotográfica, bastante pilha, cartão de memória grande, celular com bateria enorme, sei lá, mas se prepara, porque, pra onde quer que você olhe, vale tirar uma foto! O estilo das casas, o verde, olha… Putz, é tudo muito lindo! Inclusive a área perto do Portal!

Já falei que tudo é muito lindo?

Mas o lugar em que a gente mais tirou fotos foi no museu Felícia Leirner! É um museu ao ar livre com obras feitas de concreto armado e cobre. De brinde, uma natureza maravilhosa, com vistas maravilhosas! Dá pra ver até Taubaté!

Nesse museu, também fica um dos auditórios em que há espetáculos do Festival de Inverno. Esse é um dos lugares a que vale a pena ir de carro…

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Na foto, uma paisagem linda, inspiradora, que traz alegria ao coração; ao fundo, a Pedra do Baú e a Serra da Mantiqueira.

 

Mas tem lugares a que vale a pena ir de táxi ou a pé, como é o caso de Capivari, que é o bairro da cidade em que fica o “fervo”! É muuuuuuuito restaurante, é muuuuita loja, é muuuuuuuito chique! E, de noite, muito frio, também! Mas não precisa vender a alma pra se virar por lá: a Mi e eu achamos uma sequência de fondue pra duas pessoas por 62 reais! E temos que falar do pastel do Maluf, com seus 32 cm (ui!) e muuuuuuuito recheio, praticamente uma refeição!

E TEM AS FÁBRICAS DE CHOCOLATE!!

Araucária, Montanhês, Toco… OH, MEU DEUS!! EU QUERO TODOS! TODOS!

Mas, infelizmente, só tenho um estômago (e um fígado), mas tivemos nossa cota de chocolate, se tivemos! Aliás, quando o Sol se baixa, a temperatura faz o mesmo, o que se torna um ótimo motivo pra um chocolate quente bem cremoso!… Hum…. Mas, enfim, em Capivari, tem as lojas dessas marcas e mais outras. Ah, na loja de fábrica da Araucária, dá pra ver um pouco da linha de produção. Eles têm um museuzinho do chocolate, mas é mais pela curiosidade, mesmo.

O que mais?… Bom, em Capivari, também é fácil encontrar lembranças pra levar… Em Abernéssia, um outro bairro, tem uma cafeteira/restaurante/delicatessen/whatever muito chique, a Sans Souci (francês para “Sem Pressa”) que tem uma loja de roupas junto e mesas que usam meias!

Sim, você leu direito!

 

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Tem também o Museu da Xilogravura (que me reservou uma grata surpresa, mas isso é assunto do próximo post), as lojas de chocolate, as lojas de chocolate, as lojas de chocolate,…

… E uns passeios que a gente não conseguiu fazer por falta de carro (e de vontade de gastar uma fortuna em táxi), como o Parque Amantikir e o borboletário Flores que Voam (só por esse nome, já vale a visita). E teve um que não deu pra fazer porque a gente teve azar, mesmo: o bondinho que corta a cidade!

São bondes elétricos, bondes mesmo, sendo que um deles chega a ser um trem que vai pra São Antônio do Pinhal, cidade vizinha. Na sexta, quando fomos tentar fazer a viagem, a rede elétrica tinha falhado; no sábado, por causa da indicação errada de ônibus, acabamos não chegando a tempo de pegar o último bonde; e, no domingo, não tinha mais vaga!

Mas, tudo bem: temos motivos pra voltar lá, não temos? 😉

Agora, como eu já disse, teve uma coisa muito legal que aconteceu lá, mas vou tratar disso no próximo post…

Em defesa dos nomes de comida!

Sabe, os idiomas, no fundo, no fundo, são seres vivos – eles ficam indo e vindo ao seu bel-prazer! E, nessas idas e vindas, rolam umas curvas erradas!

Por exemplo, aqui no Brasil, tem quatro injustiças enormes feitas com nomes de alimentos! Vamos da mais recente para a mais tradicional (mas não menos errada – aliás, talvez seja a pior!)

Nutella

Então, essa é praticamente ofensiva!

Nutella é uma das coisas mais gostosas que existem na face da Terra! Tipo, é praticamente uma prova de que Deus não só existe, como nos ama! Um sabor inigualável, uma cremosidade… hummmm! Me dá vontade, só de pensar!

Só que, aí, vem o pessoal usar Nutella como ofensa, no sentido de “mauricinho”, “almofadinha”! Manja aquele meme do insira-uma-profissão-aqui “raiz” contra insira-a-mesma-profissão-aqui “nutella”? Então, esse mesmo!

Gente… Nutella tinha que ser elogio!!

Tipo, a sua namorada apareceu maravilhosa para a festa? “Nossa, amor, como você está Nutella!”

Saiu um videogame 4K novinho em folha? “Mano, isso é muito Nutella!”

Alguém te fez uma gentileza? “Nossa, obrigado, isso foi muito Nutella da sua parte!”

Mortadela e Coxinha

Nossa, esses dois…

Então, vamos estabelecer, desde já, que mortadela é gostosa, e coxinha, também! Então, não faz sentido, não mesmo, associá-las a coisas ruins – ESPECIALMENTE à política!

Você quer xingar alguém da esquerda? Chama de aspargo!

Quer xingar alguém da direita? Chama de jiló!

“Nossa, eu parei de falar com aquele cara, porque ele ficou muito aspargo!”

“Esses caras são muito jilós, querem a volta do regime militar!”

Acabar em pizza

Essa é a pior!

A pior mesmo!

A maior injustiça semântico-culinária de todos os tempos!

Sério, gente? Negociatas, acordos, “abafa o caso” e tudo mais… PIZZA?!?!?!?

Gente, isso é prato de salada! Pão sem glúten! Coca zero! Adoçante!

Pizza também é praticamente uma prova do Amor Divino por nós e, nossa, num mundo perfeito, haveria pizzarias em cada esquina, e as pessoas seriam felizes por causa disso!

Não, mais do que isso! O dia em que os alienígenas vierem nos visitar/invadir, vamos oferecer pizza para eles! Vai ser o dia em que, finalmente, teremos uma comida realmente universal, porque TODO O UNIVERSO vai amar!

Não, o multiverso também! Aquele dia que aparecer sua versão de um outro universo em que não tenha pizza, ensina para ela! A pizza vai ultrapassar a barreira das dimensões!!

Mas a gente cisma de usar “acabar em pizza” para coisa ruim…

O certo seria “CPI da carne acaba em salada”, “Reunião para renúncia de Temer acaba em sopa” ou algo assim!

Acabar em pizza seria, nossa, quando a Michele e eu começamos a namorar… isso, sim, é uma pizza!

Brasil conquistou o hexa na Rússia 2018! Acabou em pizza!

Descobriram a cura do câncer? Acabou em pizza, também!

Mas, eu sei, isso é tudo ilusão… Como eu disse lá em cima, a língua é um ser vivo! As palavras escolhem o que elas querem significar!

Mas que isso está errado, está!

Uma pequena história de Páscoa…

Esta foi no domingo de Páscoa, de tarde…

Mas, pra esta história fazer sentido, uma confissão: eu sou pão-duro. E não dou esmola. Só que, no domingo de manhã, quando eu fui pagar o pão, vi que eu tinha muitas moedas. E, como era Páscoa, resolvi deixar aquelas moedas no console do carro, para dar se alguém pedisse nos faróis da cidade…

Pela primeira vez desde, bem, sempre, não apareceu um só mendigo, durante todo o trajeto para a casa dos meus pais. Quando estacionamos o carro, virei para a Michele e até reclamei disso…

Saímos do carro, e apareceu um moço num estado beeeeem ruim (“ruim” do tipo “doente”), pedindo dinheiro para conseguir voltar para a casa dele. Disse que precisava de 5 reais.

Para não dizer que eu tinha exatamente essa quantia, tinha 5,35 reais (e, depois, achei mais duas moedas no bolso).

Enfim, espero que a Páscoa tenha sido legal para vocês, também!

(E eu estou fazendo um esforço para me controlar no consumo de todo o chocolate resultante da data…)

Retrosp… ah, tô fora!

Oi, gente!

Olha, que aninho foi 2016, hein? Eu lembro que, no início do ano, tinha gente fazendo a piada que 2016 era, na verdade, um 2015S (referência a modelos de celular que mudam pouco de um ano para outro) – afinal, já no dia 8 de janeiro, perdemos David Bowie…
Agora, vendo como estão as coisas por aí, eu já tenho é certeza de que 2017 vai ser um 2015SE…

Enfim, eu resolvi me abster de lembrar os fatos do ano, para não ficar com depressão, nem causar depressão em ninguém!

Aliás, eu tenho certeza de que só escapei de um ano terrível por causa desta mocinha maravilhosa, aqui:

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Porque, olha, no começo do ano, eu estava tão mal, mas tão mal, que eu tinha certeza que eu ia acabar matando alguém! Mas eis que a Michele chegou e pôs ordem na casa! 🙂

Mas, para não dizer que não falei das flores, vou colocar aqui alguns dos episódios de podcast mais legais que ouvi este ano!

Podcast é vida, gente!

Confins do Universo – Doutor Estranho

Confins do Universo – Quadrinhos Bonelli

Papricast – Stranger Things

Papricast – Os Camaleões do Cinema

Papricast – Guilty Pleasures

Café Brasil – Hallelujah

Café Brasil – Rabarbaro

Radiofobia – Imitadores, quem sois vozes? (2)

Radiofobia – Meninos que não cresceram

Radiofobia Classics – a-ha

Radiofobia Classics – Belchior

Radiofobia Classics – David Bowie

Nossa, acabo de perceber que ouvi MUITO podcast, neste ano – e pretendo continuar, diga-se de passagem! Haja tempo para ouvir, ler, assistir, passear, namorar, trabalhar, comer, dormir… Mas dá-se um jeito!
Eu espero!

E, sabem, eu até gostaria de fazer podcast, mas, honestamente, não tem um assunto que  eu domine taaaaaaaaanto assim, pra eu poder me meter a isso!
Tipo, se eu realmente fosse meter as caras, ia ser uma coisa mais roots, sem edição (até porque não tenho tempo)… sei lá, bolar um pequeno roteiro e sair falando… Sem falar da periodicidade! A julgar pela frequência com que escrevo aqui, iam sair só uns dois ou três por ano!
Isso, com sorte!

Mas, enfim, estamos já na hora de preparar o calendário do ano que vem! Espero que 2017 seja maravilhoso para todos! Que os seus desejos BONS se realizem!
Ah, só uma dica: nada de resoluções de ano novo que não dá para cumprir, ok? 😉

Feliz Ano Novo!

Eleições… blargh!

Pois é, chegou o momento de irmos até as urnas de novo e tentarmos eleger o menor dos males! Com ênfase em “tentarmos”. Provavelmente, não vamos conseguir. Até porque é difícil ver quem é o pior!

Eu ainda não decidi em quem votar, nem pra prefeito, nem para vereador. Acho que vou usar a caminhada até o meu local de votação para ir, tipo, excluindo opções, torcendo para ver se sobra alguma. Isso pra prefeito, claro… Pra vereador, até tenho um ou dois nomes, mas, honestamente… Sei não!

De qualquer forma, a minha torcida é que para que passem logo essas eleições, porque está um saco tanta mentira, tanta discussão! Mas, só para desabafar, vou deixar uma coisinha, aqui:

É, eu sei, se anular, os outros é que vão escolher por você, estou deixando o meu poder de escolha de lado, etc, etc, etc…

Mas, honestamente, votar em quem? Pelo menos, se eu anular ou votar em branco, ninguém pode me culpar pela merda que vai dar (e sempre dá)!

Mas, vamos ver, ainda não bati o martelo disso…

90 anos, 100 dias, 15 dias, 7 anos

Dias movimentados, cheios de fatos, marcos,…

Minha avó fez 90 anos em maio passado. Há quase um mês, ela levou um tombo e quebrou o ombro.
O ombro até está melhorando, mas parece que ela envelheceu mais uns tantos anos, desde o acidente. E, na verdade, cada vez que olho para ela, parece que isso está se acelerando.
Dá medo, claro. Assim como deu medo quando meu avô começou a chegar perto do final.
Aprendizados? O que aconteceu com meu avô e, bem antes disso, o que tinha acontecido com a minha avó paterna, não me preparou para nada disso.
E, olha, a velhice é uma coisa muito humilhante! Pode até ser natural, mas é humilhante!
O duro é que a alternativa a ela é pior, beeeem pior…

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Na parte das notícias boas, 100 dias de namoro! Eu estava tão entretido, digamos, com tudo o que anda acontecendo, que eu nem fiz essa conta!
Ainda bem que a Michele lembrou! E ainda bem que ela está na minha vida! Porque, se não fosse ela,…
E que venham muitos mais 100 dias!

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Agora, no final, os Jogos Olímpicos deram certo, quem diria?

Que fique bem claro: sei que houve problemas, mas, comparado com o que eu esperava que fosse acontecer, olha, a gente saiu num lucro gigantesco!!

E, caramba, até o Ouro no futebol! Essa, eu não estou entendendo, até agora! Quer dizer, o Brasil não é mais o país do futebol faz um tempo (sejamos francos, vai!) e, justo agora, a gente consegue a medalha que está perseguindo há décadas! Vai ver que foi obra dos deuses, para compensar as pratas em 84 e 88, assim como a Copa de 94 foi para compensar a de 82.

(AH, FOI, SIM!!!)

Mas, infelizmente, esse ouro vai ter duas consequências ruins: uma, já tem gente falando que “o 7×1 é coisa do passado”. Não, gente, seleção olímpica e principal são coisas diferentes! O 7×1 é nosso presente e será nosso futuro, se as coisas não melhorarem lá na Casa Bandida do Futebol (e não vão melhorar).

Segunda, é que essa medalha é PÉSSIMA para o futebol feminino! A gente só lembra delas nas Olimpíadas, se elas garantissem um ouro, TALVEZ isso garantisse algo mais permanente, talvez o reconhecimento há tanto tempo merecido. Mas, não só elas acabaram ficando sem medalha alguma, após um início arrasador, como o masculino, após um início horroroso, finalmente chegou lá! Vai ser mais um argumento a favor do “futebol não é coisa de mulher”…

Sem falar na Marta e na Formiga, que, infelizmente, talvez tenham perdido sua última chance do ouro olímpico! Quer dizer, a Marta, nem tanto, estará com 34 em 2020, mas a Formiga já estará com 42…

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E já são 7 anos que eu me mudei pra São Paulo, que fui morar sozinho!
Olha, dá pra pegar as coisas que eu escrevi nos outros anos e repetir. É aquela coisa: tem horas que é bom, tem horas que é ruim.

Minha avó, aliás, sempre que alguém aparece com algo no número 7, diz que “sete é conta de mentiroso”. Não sei por que o pessoal cismou com o sete…
Mas eu lembro do Ultraseven!

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Seveeeeen, seveeeen, seveeeeeeeen…
SEVEN! SEVEN! SEVEN!

Aliás, já ansioso para Tóquio 2020!

Fui!