5 anos depois…

5 anos depois…

Dia 19 passado, fez cinco anos que meu avô José morreu. Parece que foi ontem, mas faz cinco anos. Ele estava a uns três meses de fazer 98 anos de idade. Eu lembro que eu brincava que eu queria fazer a festa do centenário dele no Parque Antártica, já que ele era palmeirense.

Mas, enfim, a ficha ainda não caiu pra mim. Tipo, as lembranças dele são diárias, e eu meio que preciso ficar me relembrando, sempre, que ele não está mais entre nós. E isso sempre dói.

Com todo o respeito a todos os meus familiares que já se foram, foi a morte que eu mais senti. Inclusive porque, no fundo, eu achava que meu avô era imortal.

Na boa, eu ainda acho.

Pra terminar, a foto dele que eu mais gosto e que, fácil, é uma das mais lindas que eu já tirei. O meu avô segurando a Rafaela, minha sobrinha. Bisneta dele.

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É, eu falhei em dar um bisneto a ele… Mas, enfim, eu falhei em um monte de coisas, vida afora.

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Um pouco (ou muito) de Brasil

Teve um fim de semana em que a Mi e eu, por coincidência, acabamos nos aprofundando um pouco em Brasil – o país, o assunto! Foram dois filmes e um livro mostrando uma fatia do que o Brasil foi, é e, pelo jeito, vai continuar sendo…

Mas, enfim, eu achei interessante, e acho que vale a pena compartilhar, nem que seja só um pouquinho!

GETÚLIO

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Um baita elenco, um momento pra lá de complicado, e um belo filme!

Getúlio mostra os últimos dias de governo e de vida de Getúlio Vargas, interpretado por Tony Ramos: a partir da tentativa de assassinato de Carlos Lacerda (Alexandre Borges), as coisas começam a degringolar para Vargas, que, primeiro, perde o apoio nas ruas e, depois, nos quartéis. Tudo isso com muitas coisas acontecendo nos bastidores! Se você acha que o Brasil mudou desde aquela época, talvez tenha uma surpresa desagradável…

Agora, eu vou estudar mais sobre essa época e sobre esse filme, também, ver em que ele foi baseado, digo, se foi em algum livro, para saber se realmente dá para confiar na exatidão de alguns detalhes, alguns fatos. E o que mais me marcou, desses fatos, é uma hora que Getúlio diz que já tinha rasgado a Constituição duas vezes e não ia rasgar a terceira!

Tipo… ele disse isso mesmo? E, se ele disse, por que ele não rasgou pela terceira vez, enquanto ainda tinha o apoio dos militares, quando teve chance?

MULHERES NO PODER

MULHERES-NO-PODER

Num futuro não muito distante (ou talvez distante, mas vejam o filme até a última cena e entenderão), os principais cargos políticos do Brasil são ocupados por mulheres. E o barato do filme é mostrar que, bem, isso não faria diferença alguma – as maracutaias, os favores, o “por baixo dos panos”, está tudo lá, exatamente como já é!

E a supracitada última cena é um senhor tapa na cara de quem ainda acredita neste país – especialmente a última fala, examinada no contexto do que acontece no filme!

TODOS CONTRA TODOS – O ÓDIO NOSSO DE CADA DIA

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Este foi o mais forte. É um livro do professor e filósofo Leandro Karnal (que deu aula para mim na Ibero, em 1998 e 99 – e foi um dos melhores professores que já tive na vida!) tratando de como a polarização política está se dando no Brasil, por que está se dando e, na verdade, também tratando de por que o Brasil é do jeito que é no campo político.

(Spoiler: os políticos são corruptos porque o povo é corrupto! E o professor Karnal explica o tal mito do brasileiro ser o “homem cordial”, que é muito mal interpretado.)

E mais uma coisa: partindo dessa situação, da “torcida de futebol” em que se tornou o debate político de hoje, ele explica por que – no Brasil e no mundo – existem os ódios. E, olha, é de acabar com qualquer esperança! O último capítulo até que sugere duas soluções mas, pra ser sincero, podemos tirar o cavalinho da chuva!

O melhor do Brasil pode até ser o brasileiro. Mas o pior do Brasil é o brasileiro.

É…

Scripta manent… 

Vou contar aqui uma história que o meu falecido avô José me contava…

Um dia, quando ele ainda era jovem, um professor o interpelou:

– Forte! Por que você não está anotando nada?

Ao que meu avô respondeu:

– Não precisa, professor! Eu me lembro de tudo!

E veio a resposta:

Scripta manent, parola volant! 

Em português, “O escrito fica, as palavras voam”. E meu avô levou isso a sério!

Tão a sério, que, muitos anos depois, quando ele já tinha sua alfaiataria, aconteceu de um cliente dizer a ele:

– Nossa, o senhor anota tudo!

E, dessa vez, foi o meu avô que falou:

Scripta manent, parola volant! 

Só que o cliente dele disse:

– O senhor vai me perdoar, mas eu sou professor de Latim, e eu queria fazer uma pequena correção na sua frase: “parola” é italiano; o correto é “verba“: “Scripta manent, verba volant”. 

Meu avô, sendo quem era, não perdeu a pose:

– Olha, eu fico feliz! Porque o senhor me corrigiu apenas uma palavra, e não foi erro meu, foi erro de um professor que me ensinou assim!

E foi assim que essa frase chegou até mim!

Por que estou contando essa história?

Bem, na minha recente viagem a Campos do Jordão, no Museu da Xilogravura, no ateliê do lugar, eis que me deparo com isto:

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Pois é… A três horas de viagem de São Paulo, num cantinho de um museu, eis que me encontro com o meu avô… :_)

P.S.: Aliás, vai fazer 5 anos que ele morreu… Mas disso, talvez, eu trate lá em novembro.

Primavera

ah, que bom seria se tudo fosse apenas
acompanhar o futebol: discutir escalações,
ver os jogos e comentar os resultados na segunda,
com direito a usar a camisa do time, sem medo

ah, que bom seria se tudo fosse apenas
as estreias no cinema: aventuras em outros mundos,
reunir os amigos, comprar a pipoca,
e deixar tudo mais fora da sala de exibição

mas melhor que tudo isso seria
se tudo fosse apenas o beijo dhela
o colo dhela, os braços dhela

andar de mãos dadas com hela e nada mais
dormir de conchinha com hela e nada mais
fazer amor com hela e nada mais!

O Brasil de chuteiras, tênis, raquetes,… ou não!

Sabem, eu sou da época em que defender a seleção do próprio país era considerado (oficialmente) a maior honra para um esportista. Claro que esse tempo já passou, mas eu ainda não consigo deixar de ficar chateado com algumas coisas.
Por exemplo, tivemos o caso de jogadores de basquete que se recusaram a defender a seleção brasileira, no pré-olímpico, alegando vários motivos, quando, no fundo, se trata de não querer defender a seleção. Esses atletas jogam na NBA, considerada a melhor liga de basquete do planeta. Precisam da seleção? Eles acham que não!
Outra coisa que ando ouvindo muito por aí é que a Copa América de Futebol atrapalha os times, que tem que ceder jogadores para a seleção, ficando desfalcados em pleno Campeonato Brasileiro! Opa! Ok, concordo que os times têm um problema (que, aliás, se deve à CBF e seus calendários), mas, caramba, o que é mais importante? Pois, para meu imenso desgosto, tenho ouvido que o mais importante são os times! E tenho ouvido isso tanto de torcedores, que não gozam muito do meu respeito, quanto de comentaristas esportivos que gozam do meu respeito (e de outros que não)! Eu já ouvi gente dizendo que vai torcer pro Brasil ser eliminado logo, pros jogadores poderem voltar pros times!!
É o fim da picada!
E tudo isso amparado pelo raciocínio muito em voga, hoje, de que uma seleção NÃO É o país. Hum… Putz, isso daria uma discussão de anos, aqui…
Eu fico pensando: que bandeira é hasteada, quando uma seleção ganha? Que hino que toca, antes do jogo? Por outro lado, temos vários e vários casos de atletas que trocam de nacionalidade para poder defender outra seleção que não a de seu país – e poder faturar em cima disso! Como se estivessem trocando de clube!
Já disse, eu sou de outra época: para mim, quando a seleção brasileira entra em campo, não interessa que esporte seja, é o meu país, sim, que está lá! É para eles que eu torço, é por eles que eu me emociono. Deixar de participar da seleção porque o time que está pagando não quer ou porque o próprio atleta não se interessa mais – afinal, já está jogando no exterior, e seleções, hoje, servem mais como vitrines – é falta de patriotismo, sim!
Mas esta é a época do “patriotismo não paga mercado” e de times mais importantes do que seleções. Vou ter que me acostumar.
Só que jamais vou gostar! E me perdoem, torcedores, por seus importantíssimos times ficarem sem seus craques, mas eu vou continuar torcendo – sim, eu também sou torcedor! – pela seleção na Copa América – assim como estou torcendo pro Brasil no Mundial Feminino e também no Sub-17! Assim como eu torci pro Santos, na final da Libertadores – afinal, era o time brasileiro na final da competição!
É, eu sou de outra época!

Horário de Verão…

Eu acho que eu já falei do horário de Verão, aqui…
Tem gente que gosta, tem gente que odeia. Eu tenho ligações afetivas com ele. Mas tudo focado no passado.
Quando eu era menor, tanto o início quanto o fim desse horário eram significativos pra mim. Marcavam um momento, marcavam o momento do ano, fosse o início do fim do ano, fosse o fim do início do ano. Era outubro, era fevereiro. Era o penúltimo mês de aulas, era o início do ano letivo. Era acordar com o dia mais escuro alguns dias e curtir muuuuuuitos dias de Sol até tarde. Dias que duravam mais, eram mais gostosos.
Mas isso se foi.
Hoje, o horário de Verão significa que eu vou ter que pegar ônibus com o dia escuro, ainda. E, se o dia dura uma hora a mais, isso já não me ajuda em nada. Não muda mais nada.
Bem, mas o que eu queria? Se até o amor perde sua importância, o que dirá do horário de Verão.
Crescer é muito triste.

Fotolog: 1984

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Eu já tinha publicado esta foto há algum tempo, mas numa definição pior. Agora, de posse da original, fiz uma digitalização com um pouco mais de qualidade.

Nesse processo, a primeira coisa que eu percebi é uma criancinha loira escondida nas sombras, no lado direito da foto, coisa que eu não tinha visto antes. Tenho até um palpite de quem seria, mas não tenho certeza. Fora da sombra, da esquerda para a direita, minha prima Elisa (em cuja casa a foto foi tirada), eu e a minha irmã, Daniela.

Também pude ver a marcação feita pelo laboratório fotográfico Curt, no canto inferior esquerdo (reparem no robozinho: era o símbolo deles), com a data da revelação: dezembro de 1984. A foto pode ter sido tirada antes, mas o quanto antes? Dias, meses?

Vamos trabalhar com dias: dezembro de 1984. Não vou mexer nas idades das meninas (sei que elas não gostam), mas eu estava com 10 anos e 2 meses. Tinha acabado de concluir a 3a série do primário (não sei e nem quero saber como se chama isso, hoje). Faltava um mês para o Rock in Rio. Estávamos nos efervescentes anos 80! Eu já morava na casa que deixei há apenas 8 meses (estou com 35 anos e meio).

Olhando para essa foto, me pergunto: quem era esse guri?

Eu mesmo me respondo: provavelmente, o mesmo homem que está digitando agora, só que menos arqueado pelo tempo.