Um gato preto…

Notícia triste, hoje: morreu o Ikki, um dos gatos pretos que a gente tinha lá na nossa casa de São Bernardo. Morreu de velhice, mesmo: tinha cerca de 20 anos. Na verdade, nunca soubemos a idade dele, pois já chegou adulto em casa, mas a veterinária examinou a dentição dele e estimou que era mais velho que a falecida Gezebel.

Eu poderia contar algumas histórias dele, mas, pelo adiantado da hora, vou contar uma de quando ele ainda não tinha sido aceito em casa. Tínhamos um portão que permitia a passagem de gatos (hehe!), naqueles distantes anos 90, e o Ikki ficava entrando, para ser posto para correr pela saudosa Iara (nossa cachorrinha) ou por um de nós.

Um dia, eu devia estar de férias, eu estava na cama, acordei, fiquei criando coragem pra levantar, demorei um monte pra abrir os olhos… Consegui abri-los, para fechá-los logo em seguida. Só que ficou uma imagem. Sonolento, eu demorei pra decodificar o que tinha visto. Mas tinha algo estranho.
Abri os olhos de novo, não consegui ficar com eles abertos, mas deu pra perceber: estava tudo escuro, mas tinha duas pedrinhas claras no meio da escuridão…
Foi só aí que eu consegui abrir mesmo os olhos. Vi as duas pedrinhas claras olhando pra mim. A imagem foi se firmando aos poucos… Comecei a perceber um contorno… Parecia um… Um…
Um gato!!!!
E, claro, era o Ikki, sentadinho no chão, olhando fixamente pra mim!! Dentro do meu quarto!!
Eu fiquei tão furioso que o persegui, de pijama e tudo, até o portão de casa!… Ai, ai,… jamais vou esquecer esse dia!
No mais, o apelido dele era “cacau”, porque parecia que era o que ele falava quando miava; e o referido contorno dele parecia o de um bichinho de pelúcia! Aliás, eu costumava falar que ele estava no emprego errado: não tinha que ser um gato, tinha que ser um urso!
Descanse em paz, “gato cacau”!

Santos: ontem e hoje?

Hoje, poderemos ver e rever um momento histórico

Para os que são da minha geração, Santos campeão da Libertadores é praticamente uma lenda contada em milhões de programas esportivos, livros, documentários. O Santos de Pelé, o quase sobrenatural Santos de Pelé, com dois títulos na Libertadores, duas estrelas na camisa, duas glórias dos distantes anos 60.
Talvez tenhamos que esperar outras tantas décadas para poder julgar o que pode acontecer hoje, no Pacaembu. O Santos de Neymar, Ganso e Muricy enfrenta o Peñarol, do Uruguai, por um título que não vai para a Vila Belmiro desde a época em que o time da baixada era praticamente invencível! E, vejam só, o Peñarol foi adversário do Santos em uma daquelas finais de Libertadores, a de 1962!
Acho que vai ser melhor eu mostrar, e não explicar, o que eu estou sentindo.
Eu cresci ouvindo falar da Seleção tricampeã em 1958, 62 e 70. Também ouvi falar de Juan Manuel Fangio, o fantástico piloto que conquistou cinco títulos mundiais de Fórmula 1! Três lendas: Santos, Seleção e Fangio.
Pois bem: vieram as Copas de 1982 e 86, e parecia que os títulos tinham ficado no passado. Veio o tricampeonato de Ayrton Senna na F1, mas a Morte impediu que o recorde de Fangio fosse quebrado. O Santos, então, nem se fala.
Mas as coisas começaram a mudar.
Em 1994, Romário, Bebeto, Taffarel e Parreira me deram o prazer e a honra de ver o Brasil campeão, o que se repetiria em 2002. Nas pistas, Michael Schumacher passou Fangio, conquistando sete títulos! Eu, de mero ouvinte, passei a espectador: eu VI a História sendo feita! Não eram mais relatos, documentários: estava tudo ali, ao vivo e em tempo real!
É por isso que eu vou torcer muito pro Santos, hoje! Porque eu quero ter esse prazer de ver o Santos chegar ao topo da América, de novo, como nos bons e velhos tempos! Aqueles de que eu só ouvi falar.
E pode ser hoje, ao vivo e em tempo real!

No mais, eu sei que tem um monte de gente que vai “secar” o Alvinegro Praiano, porque torcem pra outro time. Francamente: quem GOSTA de futebol deve torcer pro Santos, para poder testemunhar muito mais do que uma simples disputa entre clubes! Não vou nem entrar no mérito de o Santos ser ou não o Brasil em campo, hoje (em que pese que a taça viria para cá), mas pensem: independente do que acontecer no Pacaembu, os times que já foram eliminados continuarão eliminados. Quem ficou no caminho não vai receber o trófeu no colo, agora.
O que vai acontecer hoje transcende bairrismos!