A loja de discos

E o tempo continua dando suas bordoadas…

Nesses dias, passei em frente a uma loja de discos que eu conheci na época do meu colegial e perto da qual, por coincidência, hoje moro, e a loja estava fechada. Mais uma loja de discos que se foi.

Eu não vou reclamar, porque, no fundo, eu participei disso: como era uma loja mais careira, eu mesmo só comprei coisas lá três ou quatro vezes. Eles tinham muitos importados, e fui lá que eu comprei o “Tripping the live fantastic”, CD duplo ao vivo do Paul McCartney, na época do lançamento (1991, se não me engano – aqui no Brasil, só saiu em CD simples). Depois, lembro de ter achado lá, depois de muito procurar em vários lugares, o segundo CD da Klébi, “Ilusão das Pedras”.

Mas, enfim, eu passei na frente da loja, e não tinha mais o letreiro deles na fachada.

De novo, assumindo a minha culpa nesse processo: assino o Google Play Music, embora ainda compre os álbuns de que eu mais gosto, mas em formato digital, porque não tenho mais espaço em casa (e não vamos nem falar da praticidade), mas eu tenho saudades, sim, de ir comprar discos em loja, ficar “passando” os discos, procurando…

Hoje, fora duas ou três lojas de rua, e uma loja ótima no Eldorado, só se vendem discos nas grandes magazines – que, sinal claro, nem se preocupam mais em ter grandes estoques e nem em organizar os discos para venda!

Claro que o importante é que a Música persista, que o meio é o de menos, no fundo.

Mas que isso é triste, ô, se é!

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5 anos depois…

5 anos depois…

Dia 19 passado, fez cinco anos que meu avô José morreu. Parece que foi ontem, mas faz cinco anos. Ele estava a uns três meses de fazer 98 anos de idade. Eu lembro que eu brincava que eu queria fazer a festa do centenário dele no Parque Antártica, já que ele era palmeirense.

Mas, enfim, a ficha ainda não caiu pra mim. Tipo, as lembranças dele são diárias, e eu meio que preciso ficar me relembrando, sempre, que ele não está mais entre nós. E isso sempre dói.

Com todo o respeito a todos os meus familiares que já se foram, foi a morte que eu mais senti. Inclusive porque, no fundo, eu achava que meu avô era imortal.

Na boa, eu ainda acho.

Pra terminar, a foto dele que eu mais gosto e que, fácil, é uma das mais lindas que eu já tirei. O meu avô segurando a Rafaela, minha sobrinha. Bisneta dele.

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É, eu falhei em dar um bisneto a ele… Mas, enfim, eu falhei em um monte de coisas, vida afora.

Scripta manent… 

Vou contar aqui uma história que o meu falecido avô José me contava…

Um dia, quando ele ainda era jovem, um professor o interpelou:

– Forte! Por que você não está anotando nada?

Ao que meu avô respondeu:

– Não precisa, professor! Eu me lembro de tudo!

E veio a resposta:

Scripta manent, parola volant! 

Em português, “O escrito fica, as palavras voam”. E meu avô levou isso a sério!

Tão a sério, que, muitos anos depois, quando ele já tinha sua alfaiataria, aconteceu de um cliente dizer a ele:

– Nossa, o senhor anota tudo!

E, dessa vez, foi o meu avô que falou:

Scripta manent, parola volant! 

Só que o cliente dele disse:

– O senhor vai me perdoar, mas eu sou professor de Latim, e eu queria fazer uma pequena correção na sua frase: “parola” é italiano; o correto é “verba“: “Scripta manent, verba volant”. 

Meu avô, sendo quem era, não perdeu a pose:

– Olha, eu fico feliz! Porque o senhor me corrigiu apenas uma palavra, e não foi erro meu, foi erro de um professor que me ensinou assim!

E foi assim que essa frase chegou até mim!

Por que estou contando essa história?

Bem, na minha recente viagem a Campos do Jordão, no Museu da Xilogravura, no ateliê do lugar, eis que me deparo com isto:

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Pois é… A três horas de viagem de São Paulo, num cantinho de um museu, eis que me encontro com o meu avô… :_)

P.S.: Aliás, vai fazer 5 anos que ele morreu… Mas disso, talvez, eu trate lá em novembro.