Scripta manent… 

Vou contar aqui uma história que o meu falecido avô José me contava…

Um dia, quando ele ainda era jovem, um professor o interpelou:

– Forte! Por que você não está anotando nada?

Ao que meu avô respondeu:

– Não precisa, professor! Eu me lembro de tudo!

E veio a resposta:

Scripta manent, parola volant! 

Em português, “O escrito fica, as palavras voam”. E meu avô levou isso a sério!

Tão a sério, que, muitos anos depois, quando ele já tinha sua alfaiataria, aconteceu de um cliente dizer a ele:

– Nossa, o senhor anota tudo!

E, dessa vez, foi o meu avô que falou:

Scripta manent, parola volant! 

Só que o cliente dele disse:

– O senhor vai me perdoar, mas eu sou professor de Latim, e eu queria fazer uma pequena correção na sua frase: “parola” é italiano; o correto é “verba“: “Scripta manent, verba volant”. 

Meu avô, sendo quem era, não perdeu a pose:

– Olha, eu fico feliz! Porque o senhor me corrigiu apenas uma palavra, e não foi erro meu, foi erro de um professor que me ensinou assim!

E foi assim que essa frase chegou até mim!

Por que estou contando essa história?

Bem, na minha recente viagem a Campos do Jordão, no Museu da Xilogravura, no ateliê do lugar, eis que me deparo com isto:

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Pois é… A três horas de viagem de São Paulo, num cantinho de um museu, eis que me encontro com o meu avô… :_)

P.S.: Aliás, vai fazer 5 anos que ele morreu… Mas disso, talvez, eu trate lá em novembro.